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Foi a primeira vez na vida que comi um “eggslut”: pão com ovo, bacon e molho de mostarda. Preciso dizer que estava uma delícia. E fui surpreendida pelo café americano, que sempre me disseram que era ruim, mas até que é gostosinho?! Aliás, eles enchem de tudo que é coisa no café: de chantilly à raspas de chocolate. Eu sentia orgulho da minha simplicidade, café preto, sem açúcar – e é só isso, mesmo.

Também comi um croissant, outra coisa que americano sabe fazer bem – o de manteiga estava delicioso. O evento colocou mesas redondas enormes com cerca de 10 cadeiras cada, no fundo do salão (onde estava o market place), de modo que as pessoas pudessem pegar seus comes e houvesse um lugar para elas se sentarem. Importante, para pessoas como eu – sobre as quais as chances de derrubar tudo na camiseta de alguém sempre são bem grandes. Era uma oportunidade de bater papo – e de pedir desculpas para um ou outro americano que se sentava no meio dos brasileiros e não entendiam absolutamente nada do que estávamos falando.

Fiz algumas fotos de algumas pessoas conhecidas que vi e de ideias para usarmos no evento daqui. Conheci pessoalmente algumas figurinhas carimbadas com quem sempre falo, e rolava uma intimidade de amigos de longa data, como se nós já nos conhecêssemos. Bom encontrar rostos conhecidos, bom que a gente conheça alguém com quem sempre tem contato.

Na hora do almoço subi para o meu quarto para enviar uns e-mails. Abri o terraço e vi o horizonte brilhante e a temperatura quente de Vegas. Aviões subindo no horizonte, carros passando na via paralela à strip. Montei os presentes que tinhamos levado para alguns colegas e tive a (péssima) ideia de pedir para os concierges distribuir os presentes nos quartos das respectivas pessoas.

Péssima ideia sim, porque em Las Vegas tudo tem um custo para sua alma. E o tal Bell Desk também tem. Ou seja, eu desci com uma sacolaiada na mão para subir novamente com a mesma sacolaiada porque não tinha dado certo, já que esta tarefa teria um custo por pessoa… teria que eu mesma fazer isso.

Pedi ajuda para o Lucas, o cara brasileiro que trabalha na matriz em Boston. Inicialmente a ajuda era só pra me ajudar a localizar uma ou outra pessoa – mas ele (querido) se ofereceu para entregar os presentes pra mim.

O assunto estava quase resolvido e as duas que faltavam, eu entregaria no dia seguinte em uma reunião que teríamos (tem outra surpresa que só descobri depois: uma das pessoas com quem faríamos a reunião e eu entregaria um dos presentes, estava em Boston: a reunião era uma videocall). FÓIN FÓIN FÓIN.

Aliás, sobre estes presentes: eram 10 caixas de sabonetes. O TSA abriu a minha mala, na ida. Certeza que eles acharam que as 10 caixinhas de sabonetes da Natura eram 10 caixas contendo droga ou algo assim.

Eu procurava uma horinha de paz, sem ser solicitada por ninguém – sem precisar ser, porque eu jamais daria as costas para quem precisasse de mim – e sem ter nenhuma tarefa, para que eu fosse até a Sephora e a Marshall.

Hoje eu te digo, minha amiga leitora, QUE BOM que não deu tempo de ir. Porque eu gastei quase US$300,00 na farmácia.

Nosso grupo começou a me procurar (parte dele) para estender uma noite, estender passagem, estender a sua própria existência. E eu sabia que se deixasse estas providências para a última hora, daria merda. Mas foi exatamente o que aconteceu!!!! Decidimos na última hora e quase deu merda (se a pessoa que eu preciso para realizar estas tarefas não fosse tão amável e solícita, mesmo recebendo solicitações aos 45 minutos do segundo tempo).

A tarde tinha sido tão estressante que eu pensava em ficar no quarto e não ir para a tal festa de encerramento que teria na Marquee… mas aí eu pensei: não vou perder o mais divertido da programação por conta disso ou daquilo. EU VOU, SIM.

Abro o closet para escolher a roupa. Eu já tinha dado uma escorregada em um jantar que foi feito no dia anterior para os clientes da LATAM: todo mundo despojado e eu fui de princesinha da ópera. Vestido de cetim midi com sandália. Eu estava super linda, mas super patricinha para a ocasião. Aliás, falando neste jantar (que tinha acontecido no dia anterior), comi algumas coisas finalmente gostosas e sem tanta pimenta, entre elas: shimeji, salada, purê de batata, entre outras coisas. E de sobremesa, apple pie com sorvete (acompanhada de um dos nossos clientes, o Igor).

Naquela noite eu tinha sonhado com uma das personagens deste jantar, inclusive – mas eu juro que foi um sonho comportado.

Voltando à festa que eu não ia e decidi ir e ao closet onde eu estava tentando decidir o que usar. Eu tinha levado para esta ocasião um conjunto de pantacourt bem rodada e uma cropped preta (ambas de crepe) com bordados de pérola: chique demais. Resolvi usar algo mais despojado e coloquei um jeans escuro e uma blusinha que está fazendo aniversário, de paetês sem brilho.

quando você vai pra um jantar arrumadinha demais! rs

Fui até o local da danceteria sem documento, sem nada. O segurança da porta não achava o meu nome na lista e gentilmente me pediu que eu fosse até o quarto buscar meu crachá da empresa. Fiz isso e ele nem leu o que dizia o crachá e também não olhou o passaporte, carimbou meu pulso e me colocou pra dentro. Subi com um cara um elevador escuro, apenas com umas luzes em tom laranja (e agradeci por ter um ascensorista dentro do elevador). Levei uns 5 minutos para localizar meus pares, na festa. Estavam espalhados.

Percorri o espaço aberto, onde estava a piscina e um jardim. Era o topo de uma das partes do prédio e ao redor se podia ver os outdoors iluminados dos outros hotéis. Peguei um yakissoba mini e uma cerveja e me juntei à galera de sempre, com os quais eu instantaneamente fui com a cara: Erik, Elber e João.

Só me deixei ser levada para a pista de dança porque neste meio tempo eu já tinha tomado duas cervejas (ótimas, por sinal) e porque a música era MUITO BOA. Fiquei dançando até o final da festa, com o nosso grupinho e com alguns colegas da matriz que não tenho ideia de quem eram (mas aparentemente eram da turma dos nerds e sim, dançavam do jeito mais estranho).

No meio da dança, depois de dançar com um deles, recebo o seguinte elogio do tiozão de cavanhaque e boné pra trás:

_ You´re awesome!!!

Depois chamei a Jéssica (a designer) para se juntar à nós, pois ela estava observando de fora. Lembro de ter saído à francesa quando as musicas começaram a ficar melodiosas demais e quando me lembrei que eu ainda tinha trabalho a fazer: organizar os transfers-out do dia seguinte, para levar a galera que iria embora, para o aeroporto. E pagar o resort fee (algo sempre cobrado nos hotéis em Vegas) para os clientes que não estavam comigo quando eu cheguei.

Fui até o quarto, troquei o salto por um tênis, troquei a blusa de paetês por outra blusinha mais simples e o plano era sair para dar uma volta na rua, sozinha mesmo, depois de resolver a pendenga na recepção do hotel.

Mas sempre há companhia nestas horas e Elber e João foram comigo. Caminhamos até o Hotel Scalibur e voltamos pelo outro lado. Eu estava com muita vontade de comer um cachorro quente (as pessoas perguntam como uma vegetariana come cachorro quente e eu respondo que se trata de uma comida afetiva, que lembra minha infância e portanto eu gosto), mas não achei nada que se parecesse com um. Entramos em uma loja de departamentos bem fuleira e nenhum de nós três quis comprar nada. E depois eu entrei na Hard Rock Café para comprar uma camiseta para mim e outra para minha sobrinha (trouxe uma ecobag também). Contei para quem estava comigo que quando eu era adolescente sempre quis ter uma camiseta da Hard Rock – sonho realizado aos 40 anos.

Minha sobrinha tem mais sorte e vai vestir uma com menos de dois anos de idade – mas certamente ela sonha bem mais alto do que vestir a camiseta do Hard Rock Café. 😀

Depois, paramos na Walgreens porque eu queria comprar sais de banho (escolhi o pior – ou não soube usar). Junto comprei chiclete de canela, o hidratante que uma amiga pediu e mais uma cartela de burt bees para dar de presente.

Já no quarto, eu queria tomar outro banho de banheira antes de voltar para o Brasil, mas não tinha sais de banho no hotel. Aconteceu que eu joguei aquele que comprei dentro da água quente e a água ficou cor de rosa, simples assim. Mas nada de espuma.

Fui até o minibar e catei uma Pepsi e um pacote de cookies. O certo, neste cenário, seria uma garrafa de vinho ou champanhe – mas a Pepsi era mais barata, mesmo.

E a hora de apagar todas as luzes e me jogar na cama fofinha era a melhor hora de todas. Coloquei o relógio para despertar às 08h00, pois teríamos uma reunião na manhã seguinte.

(Não sonhei com ninguém).

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