Tudo o que vai acontecer

já aconteceu

a gente só não viu ainda

(Natália Lage)

Oh, pobre blog, pobre espaço em branco. Eu sinto muitíssimo por você ser o MEU blog. Por ser este diário em branco, esperando que eu venha e conte as coisas mais incríveis, histórias sobre as mais diversas ocasiões e assuntos. Afinal de contas, eu tenho vitrines suficientes pra isso e tenho também esta vocação que o universo me deu, a de contar histórias. Fico imaginando a sua angústia ao me esperar chegar, com uma ou outra história interessante sobre algo que você é sempre o primeiro a saber. Você espera, espera, espera…

…e eu não venho. E eu não venho. Não venho…

E quando venho é pra choramingar os meus afetos desafetos. Os meus amores atrasados. O meu coração transformado em relógio, o relógio que está sempre correndo atrás do tempo passado. Fico imaginando a sua impaciência! Sua retidão forçosa. Seu silêncio generoso em me deixar chegar, sempre, e despejar o que eu tiver de despejar, embora não seja nem de perto aquilo que você sonhava em receber.

Pobre blog meu.

Pobre coração, esse que tem o timing mais imperfeito do mundo. Nasceu com um defeito: está sempre atrasado…

Mas veja, eu trago boas notícias. As palavras que eu nem escolho, estas as quais eu não penso – só fluem, só nascem e saem da minha boca sem que eu consiga controla-las – são apenas suas. Eu não as digo para mais ninguém.

Para ninguém e para alguém.

Só você, meu querido blog, é quem saberá delas. E dos segredos que eu deixo aqui, irresponsavelmente descobertos… vulneráveis.

[Minha vulnerabilidade é a minha deixa].

Herdei a sua retidão (não foi sempre assim): eu não vou dar ouvidos ao que o meu coração-cigano me pede. Uma jóia valiosa é mais linda quando está protegida. Vou deixa-la aqui, sob sua delicada vigília, descoberta e disposta como um copo de água limpa, pra quando o meu amor chegar e se encontrar, refletido no espelho da sua honestidade.

[Eu não sei se é amor… mas hoje é].

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