Morei há pelo menos 32 anos na Zona Norte de São Paulo e não tinha explorado todos os cantos do Horto Florestal, na Serra da Cantareira. Como uma das coisas que mais gosto de fazer é explorar lugares e descobrir coisas legais, foi um prato cheio pra quem estava com muita saudade de fotografar. Percorri caminhos diferentes, ruas cheias de árvores floridas contrastando com o céu bem azulzinho deste inverno bem quentinho da louca, louquíssima São Paulo tropicaliente! hahahaha!!! Caminhar é minha oração, minha fluoxetina, meu chocolate branco  com passas. Caminhando eu zero tudo dentro de mim e fico pronta pra me encher de novo de venha o que vier. No parque procurei por silêncio e por detalhes. Bebi água da bica, molhei a nuca, observei os patos, macacos e esquilos. Pisei sem querer em formigueiros, procurei raios de sol passando por entre galhos e teias de aranhas brilhando no contra-luz.  Li algumas páginas do meu livro de poesia, fiz fotos e memórias.  Olhei as vitórias régias comporem o quadro inteiro das minhas fotos, brilhando na lagoa. Olhei os cachorros soltos, senti falta dos meus. Desejei ser vento, ou cheiro de flor. Desejei também fechar os olhos, mas isso ainda tenho medo de fazer quando estiver de rolê sozinha (risos).

Na saída do parque há um Café, o Grassiello, que além de ser um charme, é pet friendly e uma simpatia: a garçonete é a vovó da proprietária, que me serviu o cafézinho e a cuca de banana. A vontade foi de não sair de lá! Pedi uma cuca de banana e um espresso duplo e, enquanto esperava, bati um papo com o herdeirinho, um garoto simpático, agitando sua espada e vestindo a camiseta mais linda de todas (a dos Beatles). Lembrei-me de que preciso ir até a Galeria do Rock procurar uma igualzinha a dele (passeio e fotos pra outro post). Degustei a cuca, enquanto procurava minhas memórias próprias esbarradas por ali, das minhas tias e avó que faziam cuca e contavam até dez antes de ela sumir inteirinha.

Depois, lembrei-me do dia em que fui até um supermercado do bairro buscar Mirtilos (o que faz você feliz, blá blá blá, tem coisas que só se acham lá) e vi uma rua com duas árvores mega coloridas e lindas, frondosas, mas nao pude fotografá-las primeiro porque estava sem minha câmera e segundo porque além de mirtilos eu comprei um monte de outras coisas e estava portanto cheia de sacolas nas duas mãos. Deixei pra voltar na outra semana.

E voltei. E fiz as fotos. Na verdade, eu estou tão caduca que não tinha guardado o nome da rua nem nada. Sabia que era uma subida, do lado direito sentido bairro – e só.  Minha memoria é fotográfica, quem precisa guardar o nome da rua? Pois bem, só que no Tremembe está cheio de subidas.  E cheia de árvores rosas e vermelhinhas. E quando já tinha me resignado (ahhhh as flores caíram…), e já estava indo para o ponto de ônibus na frente da esfiharia, tchan tchan tchan tchan!!!!

Achei a rua!!!!!! Subi e fiz as fotos.

O ruim de tentar fotografar árvores em São Paulo, é que fotografar árvores em São Paulo é fotografar fios de luz e postes de São Paulo. Você tem que dar seus pulos pra foto sair bacana, hahaha!

Se estiverem passando por aqui, dêem uma xeretadinha, vocês vão gostar.

Acho que vou fazer estes passeios a bairros diferentes, mais vezes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O lugar se chama Grassiello Frutaria e Cafeteria, tem uma carinha dos cafés do centro histórico de Embu das Artes, várias mesinhas para quem estiver com pets, várias opções no cardápio de lanches, sucos, saladas, salgados e doces e a hospitalidade mais querida do bairro, quando a vovó em pessoa vai te servir na mesa. Mais do que recomendo! Fica na Rua do Horto, próximo à saída do parque.

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