Eu não tenho nenhum plano. Juro, eu queria ter um. E enquanto tento arrumar a limpar a casa do lado de fora, tem todo o lado de dentro que está aí, aos trancos e barrancos. Vou levando as coisas e vivendo os dias e fazendo as coisinhas na minha vida. O trabalho justo e o pão nosso; alimentar algumas boquinhas que dependem de mim – e só de mim. Amar alguns corações desesperados e aflitos. Pegar aquilo que dói e matar no peito. Costurar algumas feridas e assoprar outras. Varrer as perguntas sem respostas para debaixo do tapete. Olhar em volta, ver o tanto de absurdos e me achar sortuda, mesmo com o coração partido. Sou uma garota de sorte. Sou uma garota de sorte. Ficar repetindo isso até acreditar. Não acreditar. Me achar egoísta. Olhar pro alto e desejar ver os olhos de Deus. Não ver. Chorar. Rir. Beber. Dançar. Querer que o tempo passe. Querer que ele volte. Respirar fundo. Colecionar alguns momentos de puro êxtase – não decorar a receita. E rasgar todas as outras.

Estalar os dedos e fazer sons com a língua. Pulos, embrulhos, giros e regressões. Revirar os olhos como quem goza. Lembrar. Doer. E dar voltinhas nos pequenos destemperos. Procurar o hálito da rosa e escutar os segredos da forma da lua. Roer as unhas desvendando memórias soltas. Rasgar retratos e marcas. Revirar o tempo, recuar o vento. Me abraçar, e fingir que não sou eu. E fazer anéis com os meus cabelos, sentindo o roçar dos seus dedos na minha orelha gelada. Pegar no sono, pra esquecer. Não dá certo nunca. Eu queria sonhar que o tempo parou, de verdade.


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