Me desculpa se esbarrei em você sem querer. Eu juro que não foi intencional. Fluiu com leveza, assim como foi quando a gente conversou a primeira vez. Um papo gostoso que fez o tempo não passar.

Eu adorei o seu cavanhaque, a sua tattoo e seu cabelo moreninho. E quanto mais eu me sinto atraída por um cara menos eu falo com ele, hahahahaha…. um segredo que confesso aos quatro ventos. Quem sabe o vento dedura o meu segredo para a pessoa certa?

Mas você veio chegando de mansinho, se sentando ao meu lado e puxando conversa e naquele cantinho que a gente cavucou criamos alguns instantes compartilhados, como quase um segredo – e ali nos nossos olhos a gente sabia mesmo sem dizer palavra alguma que tínhamos, nós dois, um segredo.

A gente vem tentando disfarçar.

A gente vem tentando se afastar.

Ou fingir que não tá acontecendo nada. A gente na verdade vem tentando se concentrar… E eu achava que esse lance tava acontecendo só comigo, até reparar nas suas pernas inquietas, nas mãos agitadas que você esfrega o tempo inteiro na calça.

Ou perceber o seu olhar me devorando. Abro um semi sorriso no coração. Não demonstrei, mas eu queria. Você ficou me esperando e eu não te alcancei. Mas eu iria.

Todas as vezes a mesma coisa acontece: mesmo sem querer a gente acaba se esbarrando. De novo e de novo e de novo. Você procura o meu olhar ali no meio da multidão. Eu desvio. Depois sou eu quem olho (você estava concentrado). Você volta o olhar pra mim como se os meus olhos tivessem voz e como se você tivesse escutado eu te chamar. Aí eu viro pro outro lado de novo.

Igual esconde-esconde.

Tão bonitinho você inventando desculpas pra vir falar comigo.

Tão lindo quando você confessa pra mim o que meus olhos escutam os seus dizerem. Tão incrível tanta incrível sintonia dentro de instantes tão apertadinhos. Tanta vontade de falar, de conversar, de deixar rolar…

De sorrir pra você sem nenhum medo. Sem nenhuma pressa. Sem ninguém por perto.

Tão tão bom de sentir. Tão bom te olhar! Tão bom quando você me entrega com sinceridade aquilo que naquele momento é possível entre nós. O que o tempo permite, agora. O seu querer silencioso, configurado nesse teu olhar fixo, nessa tua piscadinha maliciosa.

Tão bom saber que eu não precisei dizer nada e que você entendeu, gatinho, que a gente tá dançando, sem querer, a mesma música. E que tá maravilhoso, assim.

via GIPHY

Anterior Posterior

Deixe o seu recado!

voltar ao topo