Perca o ônibus. Perca a linha. Perca a tampa da caneta. Perca um par de meia. Perca o cadarço do seu all-star. Perca o elástico do cabelo. Perca a lixa da unha. Perca o marcador de páginas. Perca cabelos. Perca um ingresso. Perca sua blusa favorita. Mas não perca de ti o respeito de alguém.

Perca o cartão que a sua avó te deu na sua primeira comunhão. Perca o cd do Gilberto Gil. Perca um arquivo no computador. Perca um texto que você escreveu, uma letra que musicou. Perca o trem. Perca o elevador. Perca o horário do remédio. Mas não perca a admiração de ninguém.

Perca o carregador do seu celular. Perca sua agenda, perca uma reunião. Perca um e-mail. Perca uma aula. Perca um vôo. Perca um sonho. Perca um show. Perca uma cerimônia. Perca uma liquidação. Perca uma memória. A memória de um gosto. De um dia. De um momento. De um rosto. Mas não perca a confiança de quem te quer bem.

O ônibus, a linha, a tampa da caneta, o par de meia, o cadarço do tênis, o elástico de cabelo, a lixa de unha, o marcador de página, cabelos, ingressos, roupas, cartões, cds, arquivos, textos, melodias, trens, elevadores, horários, carregadores, agendas, reuniões, e-mails, aulas, vôos, sonhos, shows, cerimônias, liquidações, memórias, gostos, rostos… são reconstruíveis. Substituíveis. Paliativos, até. O respeito, admiração e confiança que alguém tem por ti, tão sutis, tão delicados, não são. E se perderes…

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