O nosso afeto é como um diamante: uma pedra preciosa resistente e ao mesmo tempo delicada, que pode ser lapidada de diversas formas. Assim, da mesma forma é o que a gente sente. Um afeto maduro, bem guardado no relicário do nosso coração e por isso delicado, mas ao mesmo tempo resistente – se eu sei o que sinto, porque sinto e por quem sinto.

Deveríamos, portanto, ter mais cuidado com ele, o afeto. Eu deveria escolher melhor a quem entregar o meu diamante. Você não entrega um diamante a qualquer pessoa. Você o entrega para quem o merece e, sobretudo, para quem sabe como cuidar dele. Você não entregaria uma pedra preciosa a alguém que não soubesse reconhecê-la e, não sabendo reconhecê-la, tampouco saberia como conservá-la, protegê-la, valorizá-la: o cuidado necessário. Não é um grão de areia, não é um pétala de rosa, não é uma folha seca, não é uma asa de borboleta. É um diamante, aquilo que sai do coração de alguém em tua direção.

Você pode fazer duas coisas: ignorá-lo ou lisonjear-se nele. É, há ainda a sensação lisonjeira de saber que a ti foi confiado este “diamante-afeto” e não a mais ninguém. Existem milhares de pessoas no mundo, milhões, bilhões de pessoas. Mas o afeto daquele relicário é teu e de ninguém mais. Se é teu, você o conquistou.

Ainda assim, há quem passe reto. Não consideraria tão grave este feito, o de passar reto. Não tão grave como você olhar um diamante e não reconhecer valor algum, nele. Este afeto não é verdadeiro, é fingimento, é passatempo. Esse diamante não é de verdade. Atiro-o ao lixo, pois não serve para mim. Trato-o como uma pedra sintética. Ignoro-0. Uma falta grave, mas falta dupla. Não é tão culpa sua se não reconhece o valor nessa pedra, não como a minha própria, de  colocá-la em mãos erradas.

Essa é uma reflexão bastante pessoal e a partir destes tempos eu vou prestar mais atenção a quem dirigir os meus afetos e atenções.

Não é qualquer pessoa que sabe reconhecer a delicadeza de um diamante. Portanto, eu te aconselho a esperar que seu valor seja reconhecido primeiro, antes de confiar em alguém. É mais seguro, assim: lapidadores genuínos, não erram. Estão acostumados a identificar pedras preciosas por aí.

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