Gostar é simples. Quem disse isso foi um graaaaaaande amigo gaúcho, que me fez pensar que não tem a ver com mais nada e não depende de ninguém: gostar é livre. Quando a gente fica mais velhas, vai simplificando as coisas. As coisas vão se tornando mais objetivas, sem rodeios.

Há uma semana atrás uma grande amiga perdeu a mãe. Ela descobriu um câncer e não teve chances nem de fazer uma quimio. Isso foi um SOCO NO ESTÔMAGO de todos nós. E eu fiquei pensando em quanto tempo a gente perde com coisas que não têm valor algum. E como soa ridículo todas as vezes que deixamos de dizer alguma coisa legal pra alguém – pelos mais variados motivos.

Fui tentando recolher as pessoas mais lindas pelo caminho e trazê-las de volta pra perto de mim. Igual como a minha sobrinha Iris faz com as bonecas dela: põe todas elas bem juntinho dela “de amigas” e fica pertinho. Ela gosta de ter todo mundo que ela ama por perto (ela ama as bonecas também, risos). Descobri que eu e a Iris temos muito em comum:  A gente não sabe deixar as pessoas que ama pelo caminho.

Um dia eu disse para o meu ex-marido: meu endereço é tal, fique à vontade para ir até lá ver os cachorros quando quiser! Ele nunca veio, porque acha provavelmente que eu estava nutrindo algum tipo de esperança a partir disso e usando os cachorros pra nos reaproximarmos. Não, menino. Vai ser feliz… eu só acho que não precisamos perder contato, depois de 7 anos de convívio tão íntimo e especial. Podemos ser amigos e contarmos sempre um com o outro.

Precisa ser diferente? Não, não precisa. Mas a gente respeita o pensamento do outro, que evaporou pelo mundo. Um dia ele volta, pra falar do Palmeiras, da CNV, do projeto não sei das quantas, de alguma banda nova que descobriu e algum outro lugar legal que agora ele queira morar. Eu vou escutar tudo sorrindo.

Esta semana enviei um e-mail para uma pessoa que foi primordial na minha vida, impactou minha visão de mundo, interferiu no meu comportamento, me ajudou a CRESCER e a sair de menina para mulher – e de quem naturalmente sinto uma falta absurda. De conversar, de do jeito dele de falar, as coisas que tem a dizer sobre o mundo, as reclamações e desabafos. São as conexões especiais que eu tive, que eu tento trazer de volta. Não quero te pedir em casamento, fica tranquilo! Mas, a resposta não veio. A pessoa preferiu deixar a porta fechada, mesmo.

Isso me entristece bastante. Como o ser humano complica as coisas e reduz as possibilidades! A vida é tão curta…

Eu estou falando de carinho, mesmo. De uma busca da alma da gente.

Se eu te encontrasse por aí provavelmente seria um pouco mais corajosa do que tentei ser anteriormente, olharia no teu olho, sorriria e diria simplesmente como você faz falta. Tanta falta! Me faz lembrar o coringa, de O Dia do Coringa, livro do filósofo noruegues. O Coringa tinha a função de nos provocar, de nos fazer enxergar além, de nos dar um beliscão pra nos tirar do sono profundo.

Veja de que forma é lembrado, moço. Deixo por conta do universo e do tempo, dois grandes mestres, levarem esta energia boa até você.

“Viver é etecetera”

Guimarães Rosa

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