Você nunca vai saber quanto custa uma saudade

(Leminski)

Pego o meu caderno para escrever, mas não é nele que eu queria escrever. Queria escrever em qualquer parede em frente da qual você vá passar, no dia de hoje. Pra te fazer saber quanto esforço eu tenho que fazer para te ignorar e fingir que não te noto. Que não sinto sua falta. Que não tenho carinho gigantesco por ti. Na verdade, do lado de cá sobra afeto, tem afeto transbordando. Do lado de lá é que há espaços vazios e, porque eles existem, eu preciso me proteger. Você ainda não entendeu, isso. Não entendeu meu apego nas palavras que você dizia, porque elas eram a única coisa que eu tinha. Precisei dar alguns passos pra trás e me despir de toda esta situação e de todo este apego pra me fazer um carinho. Me cuidar. Eu não mereço me apegar a palavras que tantas vezes são ditas da boca pra fora, entre uma baforada e outra daquele cigarro fedido que você fuma (e que provavelmente faz com que você esqueça de tudo o que diz). São minutos em que tive seu olhar única e exclusivamente voltado pra mim e para o que quer que eu pudesse te oferecer ali, naquele momento; demorou um pouco pra eu entender que foi pouco mas foi de verdade. E talvez, demore um pouco mais pra você entender exatamente onde está a tua. Então o que eu faço é suspirar pelos cantos e contar os segundos em que sou forte, como aquele menino do filme, que ganhou do avô um relógio de bolso pra contar os minutos em que era corajoso. Eu tenho feito direitinho, a minha lição de casa. Tenho sido muito muito forte. Tudo o que eu queria dizer ou simplesmente responder, às suas reticências (quanto cabe num espaço em silêncio!!!!), tem sido guardado à sete chaves em mim, à força, à resistência. Tenho persistido no silêncio, pois, estou convencida de que ele diz bem mais do que eu conseguiria se tentasse.

Anterior Posterior

Deixe o seu recado!

voltar ao topo