Para Márcia

Eu me lembro bem, quando os nossos assuntos principais eram nossas passagens de ano, nossos rituais para atrair o amor (até em cartomancia eu passei a acreditar). E as coisas que a gente ia deixando pelo caminho, tentando fazer com que fôssemos menos rígidas e esta busca fosse mais fácil.  E como nós eramos especialistas em rir de nós mesmas, cada bola fora que a gente dava, até que nós perdemos um pouco as esperanças e foi aí que as coisas começaram a acontecer na nossa vida (eu achei que meus problemas tinham acabado, mas eles estavam só começando).

(Pausa para você rir e se recompor).

O tempo acabou nos ensinando, amiga, que há coisas mais difíceis do que ter que encarar a passagem de ano sozinha. E também acabou nos mostrando que nós somos muito mais heroínas, do que éramos ao driblar nossas solidões e desesperanças ano após ano. Eu suportei vários anos de um relacionamento infeliz tendo tudo o que era importante pra mim (como a maternidade) sendo deixado de lado – todos os dias. Jamais imaginei que fosse sobreviver a um divórcio, e jamais imaginei que depois dele estaria mais feliz (e mais bonita). E você, foi escolhida para cuidar de um menino muito especial e, fazer com que os dias dele sejam felizes, um dia após o outro, leves o tanto que dá – porque não dá pra olhar para o rosto da Super Mamãe Márcia e não se sentir leve.

Você é luz, amiga. Se eu já sabia disso, agora ao ver você como mãe do Felipe, com tanta dignidade e força, eu não tenho dúvidas do quanto eu e mais um tantão de pessoas (incluindo o Felipe) somos privilegiados em ter você por perto e aprendermos com a sua visão de mundo e com a sua grandeza: de caráter, de alma, de ser. Passei boa parte da minha vida dentro de templos, procurando por pessoas em quem me espelhar, além do próprio Jesus. Você estava perto de mim, boa parte deste tempo, dando uma aula de humanidade e amor genuínos. E se você acha que estou exagerando, é só olhar nos olhos do seu filho que se verá espelhada, ali, retratada pela pureza e exatidão de quem mais precisa de você nessa vida.

(Pausa pra você ir buscar um lenço no banheiro – e se recompor).

Escrevendo este texto pra você, me veio na cabeça a história do menino do polegar verde.

Tistu, desde pequeno era especial, de um modo que ninguém sabia, nem ele mesmo. Como não conseguiu ficar na escola, seus pais resolveram ensinar-lhe tudo que precisava saber na “prática”. Seu primeiro professor, Bigode (o jardineiro da família), descobriu que Tistu tinha o polegar verde e que onde ele colocasse o polegar iriam nascer flores, pois em cada canto do mundo há sementes, só esperando que um menino especial como Tistu faça esta se transformar em uma flor. Acho que agora eu entendo, porque de uns anos pra cá tenho te achado ainda mais linda e cheia de luz. Esse Felipe é mesmo muito especial.

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