Oi Vó.

Eu tô escrevendo porque não consigo dormir. Não consigo dormir porque estou preocupada com várias coisas (e talvez seja também porque tenho tomado muito café). Acabei de fazer uma listinha de coisas das quais eu não me orgulho. A lista está grande. Antes de me concentrar na lista de coisas que me orgulho, resolvi parar e lembrei de você. Talvez seja um golpe de sorte, do meu superego, pra eu não me decepcionar quando comparar a primeira lista com a segunda. Sabe, vó, eu acho que aqui embaixo é tudo por minha conta. O que eu semeio, é o que eu  planto. Não tem sorte, não tem Deus. Não tem justiça. Tem eu, por eu mesma. Talvez eu não tenha tomado as melhores decisões, ao longo dos anos. Vó, eu não sei nem por onde começar, pra consertar toda essa bagunça que eu fiz. A senhora, que já foi dessa pra melhor, agora sabe se Deus existe ou se é tudo criação da nossa cabeça. Não precisa me contar, eu entendo que tem certos segredos que a gente precisa guardar e que é cada um por si. Mas se arranjar um jeito de me guiar, nessa vida, nesse caminho solitário, perdido e dolorido, já ficarei feliz. Já me sentirei como eu me sentia antes, quando chegava na sua casa, me sentava à mesa e esperava a senhora terminar de fritar batatinhas. Eu acreditava em tudo o que a senhora dizia.

Vou acreditar sempre.

Anterior Posterior

Deixe o seu recado!

voltar ao topo