Love Songs for Robots (leia escutando)

Daí que o único contato que a gente tinha além dos olhos que não se largaram desde a primeira vez são as pontas dos dedinhos, quando a gente conversava de um jeito bem bem bem específico que se conversa quando só as palavras que se derramam da boca não bastam, quando o corpo quer falar também e enquanto a gente fala nossas mãos se procuram e as pontas dos dedinhos se encostam e se fazem um carinho assim assim assim e é assim – ASSIM – que os meus dias têm sido: me recuperar do impacto que você me causa depois que esse tipo de coisa sutil-foda acontece. Te aviso, a sutileza é mais forte, sempre foi, e acho que é por isso que quando te vejo fico uns dias depois tentando me recuperar do impacto que nosso segredo em comum nos causa, eu sei, você sabe e nós sabemos: que desde a primeira vez foi assim, desde o primeiro primeiríssimo momento foi assim, como se tivesse te reencontrado ou reconhecido ou como se você tivesse se revelado pra mim e eu pra você e sim, eu tento fazer que não é comigo. Venho tentando. Mas toda a nossa simbiose química vibe sintonia ficou tão orgânica e natural que agora é assim, só de você passar, o dia abre, o sol aparece, o vulcão acorda, o mar remexe, a terra treme. A gente sabe, a gente sente, a gente vê – e a gente quer ficar. E eu tava achando que tudo isso era mais um filme passando só dentro da minha cabeça. Mas é você quem se aproxima e busca o meu abraço e não perde nenhuma das minhas palavras e nem me perde de vista e é você quem fica assim, com essa cara de tonto-embriagado-entorpecido, só porque eu dirijo um sorriso sincero-legítimo-exclusivo que foi todo-todinho inteiramente semeado por você. Você me tem, assim, em segredo mesmo. Vamos colecionando nossos encontros quietinhos nas vielas do tempo das oito às seis, nos cantinhos dos minutos que nos sobram, entre uma responsabilidade e outra; alguém dentro de mim te busca – e te encontra, e às vezes é alguém dentro de você que me encontra primeiro. São incontroláveis as nossas sinceridades. Sabe de uma coisa? Dizem que os canyons se formaram quando há bilhões de anos atrás houve um abalo nas placas tectônicas causando sua ruptura. Por isso hoje em dia há essa fenda entre eles. Acho que a gente sempre teve junto. Um dia, por algum motivo, a gente virou dois. E é por isso, agora, tanto forte reconhecimento. Fica.

 

 

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